Nossas armas são os livros

Nessa guerra nossas armas são os livros
São deles que emana a fonte que nos mantêm vivos
Corremos contra o tempo pra depor político bandido
Nossas ruas verossímeis a Bagdá
Bíblias bois e balas pápápá!
A bala que perfura vem da arma do Estado
Os secundas estão prontos e organizados
Lutando pela paz nos pais da fome
Perguntam pela verba que sempre some!
Nas favelas Marighellas urdem por revolução
Ocupam escolas
Pedem por educação
De mãos dadas sobrevivem ao ditador
Que burlou a eleição
Engana todo mundo, mas nós não!

-Janaína Santana

Levanta e Anda

Eles acham que de onde eu vim não há saída
é só escadaria,beco,viela
Favela!
De onde eu vim sentinela entra pra estatística
morto com bala de policia
querem nos enterrar
mal sabem que somos sementes
e daqui pra frente livros
Livros!
São as armas  perigosas empunhadas por essa gente
Eles insistem que quem vem daqui não tem motivos pra seguir
por essas e outras sou obrigada a insistir
Pessoas brilhantes nascem aqui
filhos de zumbi
Gandhi
Maria Felipa
Oxalá
Ossaim
Ainda que insistam amordaçar,cegar e invisibilizar quem vem daqui
Grito a plenos pulmões
Vocês vão ter que me engolir!

  • Janaína Santana

Golpe outra vez

Eles vieram com armas mantiveram o país em cárcere durante 21 anos
Mataram,cassaram, deram sumiço nos calaram ,destruíram nossos planos
O tempo urgiu, passou e a desgraça não se extinguiu
A duras penas o povo resistiu
52 anos depois os anos de chumbo parecem retornar
Agora sem armas
Os outros voltaram a nos atacar
Recitam retórica jurídica dizendo fazer justiça
Inventam crimes de responsabilidade
Mas nenhum deles dispõe de caráter e integridade
A história diante dos nossos olhos parece se repetir
A massa promete o interino repelir
Enquanto houver saliva não me canso de repetir!
Fora Temer seu lugar não é aqui

-Janaína Santana

Grito!

Hoje ,51 anos depois ainda ouço os gritos contra a ditadura,não um só.
Dois gritos!
Ouço aqueles que um dia gritaram contra os acordos MEC/USAID.
Grito que ecoa e se confunde com o som do não à educação Alckminsta.
És tão forte e ensurdecedor que já não destinguo quem está gritando se são os de agora ou os que vieram antes.
De fato ambos tem como inimiga a ditadura.
Sim! A ditadura ,não mais aquela de 1964.
Mas à imposta pelos colarinhos brancos que insitem em tentar impor um sistema educacional de retrocessos,onde a educação está seriada,escolas sobrecarregadas e superlotadas.
Se engana quem acha que a ditadura está extinta!51 anos depois os gritos dos que lutam contra as mesmas causas e em nome de liberdade,ainda que sufocados podem ser percebidos.
Basta abrir os olhos mas…também os ouvidos!

  • Janaína Santana

Sororidade

Sou neta das bruxas queimadas
Sou filha da geração empoderada
Sou Pagu, Penha,Olga, Zuzu
Ontem grito sufragista hoje brado feminista

Outro grito insiste em o meu ofuscar
É a desigualdade que grita palavras de ordem tentando conter a força que do meu sexo nada frágil escorre

Resisto,insisto digo que existo
E como Frida jamais me kahlo
O meu estrógeno é a kriptonita dos ralos pensamentos laxos desses machos.

  • Janaína Santana

Até Quando?

Se você é mulher
Tem que se sentar como uma mulher
Se comportar como uma mulher
Não pode falar palavrão nem andar sozinha na rua a pé
Se você é homem não pode andar ou se vestir assim
gostar disso ou daquilo
Também não pode sentir nem demonstrar
Ah e chorar? Homem não chora!
Se você é gay
Tem que ser discreto, fingir e até acreditar que é hetero
Não pode andar de mãos dadas com o seu companheiro
Também não pode ser afeminado
Nem andar com aquele rebolado
Se você for velho não pode mais fazer isso, não pode ter opinião própria usar jeans ou mini saia
Não pode namorar nem cair na gandaia
Se você é criança
Tem que obedecer sem opinar
Se for menino não pode gostar de boneca
Se for menina? Nada de bola e peteca
Não pode falar com estranhos
Mas também não pode se meter em assunto de gente que não é do seu tamanho
Se você é negro não pode falar de racismo
Porque os outros vão rebater dizendo que é vítimismo!
Cotas? Pra quê? A méritocracia está aí
Só depende de você!
Emponderamento? Vocês só querem mesmo é aparecer!
Somos bombardeados todos os dias
Por estereótipos impostos e pela sociedade alimentados
Somos discriminados,assediados, amordaçados ,agredidos e rechaçados
Nocauteados por uma cultura podre que nos segrega entre preto,branco
Novo,velho
Homem e mulher
Durante anos marchamos acomodados
Como se isso fosse normal
Cegos não vemos que o mundo inteiro é igual
Até quando ein?
Até quando vamos ver,ouvir e nos calar?
Até quando os rótulos vão nos dominar?

 

  • Janaína Santana

Vida!

Naquela rua tinha uma vida
Uma entre as outras 7 bilhões de vidas
Inerte, encolhida deitada sobre chão frio.
Por ali estava despercebida em meio a vais e vens de outras vidas
Esta desgastada maltratada
Quase no fim ,ferida , esvaida
Sim esta é mais uma história de uma entre Tantas vidas que neste mundo absortas no turbilhão de idas e vindas
Mais idas do que vi(n)das!

Nota para Iago

Não sei se é menino moço ou poesia
Fora ele que me descobriu na rua outro dia
Com um olhar curioso e voz mansa perguntou : – Ei é você a menina do manifesto daquele dia?
Desde então tenho dúvidas se ele existe ou existia
Sim,ele!
O menino moço poesia
Língua afiada ,mente treinada e um verso ansioso que de ti saia feito bala
Mas dele não se sai só versos,sai amor sem pudor e afetos estampados numa pluralidade di-versos.
O menino doce tem jeito pras palavras e é dono de um olhar que a cada vez que o via me cativava
Em nós algo forte se nutria
Uma amizade ainda timida fortalecia
Sim! Com o menino moço poesia

 

  • Janaína Santana